Você já percebeu uma criança que consegue passar muito tempo concentrada em uma única atividade, sem se distrair ou perder o interesse? Esse comportamento pode estar relacionado ao hiperfoco, uma característica comum em algumas condições do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Mas afinal, o que é hiperfoco? Ao contrário do que muitos pensam, ele não é um “problema de atenção”. Pelo contrário: trata-se de um estado de atenção intensa e prolongada em um tema específico, que pode ser tanto uma habilidade quanto um desafio, dependendo da forma como é conduzido.
Neste artigo, vamos explicar o que é hiperfoco, suas características, como ele se manifesta na infância e como pode ser trabalhado de maneira positiva no contexto terapêutico e educacional.
O que é hiperfoco?
Hiperfoco é o termo usado para descrever um estado de concentração profunda e duradoura em uma atividade ou assunto de interesse intenso. Durante esse período, a pessoa pode se desligar de estímulos externos, ignorar distrações e se dedicar por horas àquilo que chama sua atenção.
No contexto infantil, isso pode se manifestar de forma bastante evidente: crianças que passam muito tempo repetindo uma mesma brincadeira, organizando objetos de forma meticulosa, assistindo aos mesmos vídeos ou falando constantemente sobre um único tema, por exemplo.
Hiperfoco no TEA e no TDAH
No Transtorno do Espectro Autista, o hiperfoco é frequentemente direcionado a temas específicos, como dinossauros, mapas, números, letras, personagens ou brinquedos. Já no TDAH, embora a criança tenha dificuldade de manter a atenção em tarefas que não despertam seu interesse, ela pode entrar em estado de hiperfoco quando encontra algo altamente estimulante ou prazeroso.
Entender o que é hiperfoco ajuda pais e profissionais a identificarem essas características como oportunidades, e não apenas como obstáculos. Isso é essencial para adaptar estratégias de ensino e intervenção.
Como lidar com o hiperfoco na infância?
Canalize o interesse: use o tema de hiperfoco para introduzir novos aprendizados e habilidades. Por exemplo, se a criança ama dinossauros, é possível usar esse universo para trabalhar linguagem, leitura, contagem e até habilidades sociais.
Estabeleça limites de tempo: o hiperfoco pode ser tão intenso que a criança pode deixar de realizar outras atividades importantes. Criar uma rotina equilibrada é fundamental.
Inclua o tema nas terapias: profissionais podem aproveitar o hiperfoco para estimular comportamentos funcionais e generalizar habilidades para outros contextos.
Estimule a ampliação de repertório: com paciência e estratégias adequadas, é possível, e necessário, incentivar a criança a experimentar novos interesses, mantendo a motivação.
A Clínica Entrelaços e o olhar para o hiperfoco
Na Clínica Entrelaços, entendemos que cada criança tem seu ritmo e suas particularidades. Sabemos o que é hiperfoco e como ele pode ser usado como uma ponte para o desenvolvimento, respeitando a individualidade e o potencial de cada criança.
Nosso trabalho é baseado na escuta, no acolhimento e em estratégias terapêuticas que valorizam o que a criança já tem de melhor para ampliar suas conquistas de forma saudável e significativa.
Quer saber mais sobre como lidar com o hiperfoco na infância? Fale com a nossa equipe e acompanhe nossos conteúdos aqui no blog!


